I – Sr. Imponderável
E tudo se desfez em questão de minutos, tal como deve
acontecer com quem é atropelado ou que ao menos sente uma vítima de acidente
aéreo, aliás hoje faz cinco anos, num dia chuvoso como hoje, que aconteceu o
imponderável e o avião não parou na pista e explodiu do outro lado da avenida,
matando todo mundo. Poderia imaginar ao menos uma dessas 199 vítimas que aquele
seria seu último dia? Assim também jamais poderia passar pela minha cabeça que
aquele fim-de-semana de lazer com a família em Santos marcaria o início deste
meu drama pessoal. Foi na manhã de 18 de fevereiro de 2005 que tudo começou.
Desperto às 7 horas, disposto a fazer uma caminhada pela orla. Mal sabia eu que
só viria a ter condições de voltar a andar três ou quatro passos que fossem só
depois de uns três anos, em 2008 ou 2009, não lembro bem.
Voltemos ao dia
fatídico. Eu e minha então esposa Beth dormíamos num colchão na sala. Quando
fui me levantar apareceu o primeiro sinal do AVC – Acidente Vascular Cerebral;
a perda do equilíbrio me fez cair deitado de novo no colchão, assustando Beth.
Foi ela e também meus pais que logo identificaram que eu não estava bem. Além
da perda de equilíbrio, meu rosto transfigurou – ‘entortou’ a boca e parou todo o lado
esquerdo do corpo. Curiosamente, ainda caminhei até o banheiro e tomei banho
normalmente. Esse foi meu último ato antes que minha perna, pé, braço e mão
esquerdos parassem de me obedecer. Não perdi a fala e, o principal: mantive-me
lúcido e consciente o tempo todo. Mas como minha boca entortara muito, assim
como minha voz saía ’empastada’, meus familiares acharam por bem chamar o SAMU.
O socorro veio rápido, pra minha sorte logo estava num Pronto Socorro público.
Não sei precisar quanto tempo fiquei nesse local. Só sei que logo fui
transferido para um hospital do convênio, o Ana Costa. Aí foram quatro dias na
UTI. Tomografias computadorizadas confirmaram um AVC Isquêmico. Com o lado
esquerdo todo do meu corpo paralisado, eu senti medo. E mesmo com todo o sentimento de impotência
frente àquela situação, eu acreditei que
poderia superar o baque e me recuperar. Estava, sim, abatido com a
impossibilidade de comandar o próprio corpo, um dedinho ao menos, mas nada...
Tô mal de comentários aqui, hein? Posta quem quer, gente, tudobem!
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