sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A retomada de si

Quase nove anos após o AVC... Sou mesmo um abençoado ser de sorte. Retomar a vida é como nascer de novo. E tive de reaprender a andar, dirigir e me adaptar para fazer todas as coisas - felizmente não precisei reaprender a falar e escrever e minha memória permaneceu intacta. Você aí que passou por isso sabe do que estou falando. Do desânimo e da esperança, pois sempre resta a esperança que, com muito exercício e força de vontade sua mão volte a mexer e fazer tudo o que fazia antes. Há vitórias e decepções e a certeza de que mesmo estando cercado de pessoas queridas te cuidando, a verdade é que o pós-AVC é um período de profunda solidão. É você e suas mazelas. Foi também nesse ponto que emergiu de mim uma força interior, até então por mim desconhecida. Ela me levou a uma resolução decisiva: Estas sequelas não me pertencem. Devo e poderei comandar o meu corpo. Começando por fazer tudo que sempre fiz, adaptadamente ou não. E assim fui andar a pé, de ônibus e carro. Fui para o tanque lavar roupa, para a cozinha, enfim. Decidi superar tudo isso, com a consciência de que não seria fácil. E aqui estou, desempregado, sem dinheiro, mas em franca recuperação e, ainda, fazendo o que mais gosto, escrever nos meus blogs.

Bom dia a todos,
Paulo Coutinho
11/out/2013

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